quinta-feira, 1 de abril de 2010

Collor x Lula: o que a Globo não contou sobre Armando Nogueira






31 DE MARÇO DE 2010 - 22H02 Collor x Lula: o que a Globo não contou sobre Armando Nogueira

O que a Globo não contou sobre o Armando Nogueira é por que o mandou embora. Roberto Marinho era menos esperto do que se diz. Na sucessão do Governo Sarney – que ele co-presidiu – Roberto Marinho ficou vendido: não sabia quem apoiar. Apoiou Quércia, Covas, namorou o Afif e só foi apoiar o Collor depois que o Collor estava na frente das pesquisas.

Por Paulo Henrique Amorim, no Conversa Afiada

O Collor jamais se esqueceu disso. E o Roberto Marinho sabia que o Collor não esqueceria isso. Desde o início da campanha, Collor construiu uma ponte com Alberico de Souza Cruz, que Armando tinha nomeado vice para cuidar dos jornais das praças. Woile Guimarães – de caráter de outra estirpe – cuidava dos jornais de rede. Alberico ajudou a vestir em Collor o manto púrpura do “caçador de marajás”.

(A Veja não deixava o manto arrastar no chão.)

Em Nova York, num intervalo de uma Assembleia Geral da ONU, Collor me contou que a ponte dele com a Globo sempre foi o Alberico. O Dr Roberto se sentiu desamparado. Estava mal acostumado com o Sarney. No Sarney, o Mailson da Nóbrega só foi nomeado Ministro da Fazenda depois que o Dr Roberto assentiu.

Aí, veio o debate que decidiu o segundo turno, Collor vs Lula. E a edição dojornal nacional foi uma patranha só. A edição do debate – em que a Globo, por instrução do Roberto Marinho, selecionou “tudo o que era bom para o Collor” e “tudo o que era ruim para o Lula” ; uma pesquisa por telefone (quando não havia telefone no Brasil); e um editorial do Alexandre Garcia que queria dizer assim: se o Collor ganhou o debate, isso é a democracia. Logo, vá lá domingo e vote no Collor para realizar a democracia.

Na CartaCapital – em dezembro de 1999 – e em meu livro Plim-Plim, A Peleja de Brizola contra a Fraude Eleitoral, já contei o que eu vi e ouvi, naquele dia da edição do debate.



“(Mario Sergio) Conti errou na ida e na volta. Errou na volta, porque, na volta de Collor à planície, a reportagem decisiva foi a da IstoÉ com o motorista Eriberto França – e isso não ficou claro no (livro) Notícias do Planalto (da editora Companhia das Letras)..

Errou na ida, porque na ida de Collor ao poder, o episódio decisivo foi a edição do debate entre Collor e Lula, feita no 
Jornal Nacional. ENotícias descreve esse episódio de forma superficial, que atenua a responsabilidade de Roberto Marinho e de Alberico Souza Cruz, diretor dos jornais em rede a Globo.

Só isso explica 
O Globo de 27 de novembro [de 1999] dedicar ao livro(de Conti) três páginas no primeiro caderno. Como se sabe, O Globonão recebia um lançamento editorial com tanto entusiasmo desde aEpístola aos Romanos.

Sobre o episódio da volta, quando Conti dirigia a 
Veja, a revista concorrente de IstoÉ, o livro Imprensa e Poder: Ligações Perigosas, de Emiliano José, é mais completo do que Notícias.

Vou tratar da ida.

Então, dezembro de 1989, eu era editor de economia da Rede Globo. Na sexta- feira, dia 15, ao chegar à redação, percebi que uma tempestade se formava. Conversei com o Ronald Carvalho, editor de política. Com Wianey Pinheiro, responsável pela cobertura das eleições e também responsável pela edição do debate que o jornal
Hoje, ao meio-dia, tinha exibido. Zanzei pela redação e ilhas de edição e soube:

• O dr. Roberto não gostou da edição de 
Hoje e mandou o Jornal Nacional dar tudo o que fosse bom para o Collor, e tudo o que fosse mau para o Lula.

• O Alberico mandou o Ronald editar como se fosse a luta em que o Mike Thyson destroçou o pobre coitado do Pinkle Thomas, dias antes transmitida pela Globo.

Isso, o que eu ouvi.

Agora, o que eu vi.

Vi por ali, como se fosse um dos nossos, o Daniel Tourinho, presidente do PRN, o partido do Collor.

Vi o Alberico na ilha (de edição). Não importa se ele disser que não editou.

Como todos os profissionais da Globo sabiam, o Alberico não tinha idéia do que fazer numa ilha de edição. Ele se sentia tão à vontade ali quanto no hall de entrada do Louvre.

Imediatamente após o 
Jornal Nacional, liguei para o Ronald e perguntei – não me lembro exatamente das palavras – ‘como é que você fez uma coisa dessas?’
Ele respondeu que decidiu exagerar, forçar a mão, para o espectador perceber que se tratava de uma manipulação.

Depois da publicação de 
Notícias, o Ronald me contou também que, logo após o Jornal Nacional, recebeu um telefonema do dr. Roberto para dizer que, daí para frente, era assim que queria a cobertura política.

Conti tem quatro explicações para o que aconteceu: 1. ‘O único critério objetivo’ para editar um debate de forma imparcial é dar aos dois candidatos o mesmo tempo (página 269). 2. O dr. Roberto determinou, muito antes, que a cobertura da campanha obedeceria à regra: todos os candidatos teriam o mesmo tempo. 3. O dr. Roberto não revogou essa ordem, ao determinar que a edição deveria ‘evidenciar que Collor vencera’ (página 270). 4. Os responsáveis pela indisciplina foram Alberico e Ronald (página 270). 5. A manipulação do debate não tem a menor importância, nem a cobertura parcial (‘o bom e o mau’), que a Globo fez toda a campanha. Pesquisas (páginas 273 e 274) demonstram que a decisão de votar em Collor independia do que a Globo fizesse. Collor encarnava ‘um Brasil… moderno. Como nas democracias da Europa Ocidental, o eleitor se expressara… com base no posicionamento 
(sic) ideológico…’ (página 274).

Vamos por partes.

Tempo em televisão não é critério para avaliar objetividade. Ao contrário. Dependendo de quem está na ilha de edição, dar mais tempo pode destruir um entrevistado. Quanto mais não é melhor.

Na linguagem da política, aliás, tempo não tem nenhuma relação com persuasão. O discurso de Lincoln em Gettysburg pode ser lido em dois minutos e sete segundos.
O fato de a Globo distribuir o tempo com ‘critério objetivo’ levanta suspeitas, também em outra circunstância. Na cobertura da campanha Fernando Henrique vs. Lula, a Globo deu aos dois o mesmo tempo. Mas, e as inúmeras e redundantes entrevistas do ministro da Fazenda Rubens Ricupero sobre o Plano Real? Ricupero já disse desconfiar que as entrevistas se desenrolavam, na verdade, num palanque.

(Espera-se que essa questão fique esclarecida, um dia, quando sair o livro – título provisório – 
Laços de Ternura, que está sendo escrito por um jornalista nos Estados Unidos – cujo nome não posso revelar – sobre ‘ a imprensa e Fernando Henrique Cardoso’.)

Se fosse uma grave indisciplina desrespeitar a ordem de distribuir o tempo por igual, o Alberico não teria sido nomeado para o cargo do Armando meses depois.
Corre por baixo de toda a narrativa de Conti a justificativa de que Collor ganhou o debate: o próprio Lula achou isso.

Suspeita-se que Manga, aquele notável goleiro do Botafogo, também achasse que o Collor ganhou o debate. E daí? O papel de um jornal é reproduzir o que aconteceu. E o que aconteceu não estava no 
Jornal Nacional. Se houve uma vitória no debate, não houve uma goleada. O que foi ao ar no Jornal Nacional é uma manipulação. A edição do Pinheiro e do Carlos Peixoto, a do Hoje, era uma edição que os profissionais da Globo subscreveriam. (Com duas ou três exceções, é claro…) Porque ela reproduzia o que aconteceu, em tamanho menor e é para isso, como os cartógrafos, que serve um editor.

Se o Lula tivesse ‘vencido’ o debate, o 
Jornal Nacional daria com uma divisão ‘criteriosa’ do tempo – a versão que mostrasse que Lula ganhou?

E a pesquisa? No 
Hoje e no Jornal Nacional, colada à edição do debate, havia uma pesquisa da Vox Populi (que trabalhava para o Collor, como ressalta Conti): por 44% a 32%, a opinião pública considerou que Collor venceu o debate. Se Lula tivesse ‘vencido’? OJornal Nacional daria uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo?

Sobre o impacto da cobertura da Globo no eleitor. É bom lembrar que, segundo as pesquisas, Lula e Collor foram para o debate empatados.

A hipótese do livro – os três programas do partido foram mais importantes para a vitória de Collor do que a ajuda da Globo (página 274) – tem tanto valor científico quanto a proposição inversa. Na página 276, por exemplo, Boni diz: ‘Supor que o debate tenha influenciado a eleição é ridículo’.

Nos Estados Unidos, a literatura sobre o assunto é farta. Há quem diga que o célebre debate de John Kennedy e Richard Nixon – em que Nixon apareceu com a barba por fazer e a toda hora limpava o suor do rosto – não teve a menor importância. O eleitor já decidira votar em Kennedy. Tanto isso deve ser verdade que, dessa data em diante – foi o primeiro debate presidencial transmitido ao vivo, pela TV – todos os candidatos à Presidência, pelo mundo afora, vão aos debates na televisão de tamancos, barba por fazer e os cabelinhos do peito a sair pela camiseta em V.

O livro de Conti não mete a mão no câncer.

E é por isso que o título tem o sabor de tofu. 
Notícias do Planalto – o que diz sobre ‘a imprensa e Fernando Collor’?

Trabalhei no 
Jornal do Brasil com um profissional exemplar, José Silveira. Ele dizia que ‘matéria que não tem o que dizer não tem lead; e matéria que não tem lead não dá título’. O livro de Conti não deu título porque não tem lead. Não tem tese. Não dá murro. Não tem uma revelação estarrecedora.

Aquela edição foi a do debate do Collor. Poderia ter sido a do Quércia, porque, a certa altura, o candidato de Roberto Marinho era o Quércia. E, então, o Alberico vinha a São Paulo, toda semana, despachar com Carlos Rayel, homem do Quércia para a imprensa.

Quando Collor começou a subir, o Alberico ficou amigo pessoal do Collor e falava com ele todo dia, por telefone – mesmo depois de presidente. Como se diz amigo pessoal de Fernando Henrique. E se preparava para ficar amigo pessoal de Ciro Gomes quando caiu, de tão amigo se tornara de Sérgio Motta.

O importante não é o Alberico. O Alberico fazia os amigos que o dr. Roberto deixava. O Alberico administrava o varejo e abria portas que Roberto Marinho, sozinho, não abriria. (O livro não deixa claro que Collor detestava Roberto Marinho.)

O episódio do debate é o ponto culminante de uma política de manipulação de opinião pública, através do noticiário da maior rede de televisão comercial do mundo, fora dos Estados Unidos. Uma política que não começou com o Collor nem acabou com ele. É uma pena que Conti não tenha conseguido daí extrair um título. Poderia ser O Bom e o Mau – como a imprensa cobriu a campanha Collor vs. Lula. Já facilitava. Depois viriam O Bom e o Mau II, O Bom e o Mau III…”

“O bom e o mau”, copyright 
CartaCapital nº 113 (22/12/99)

Com o debate e a eleição do Collor, o Dr Roberto tratou de mandar o Armando embora (que não conhecia o Collor) e botar no lugar alguém que o Collor conhecia muito bem. Foi assim que Armando caiu.

jornal nacional se chamou “nacional”, não porque fosse “nacional”, já que não havia rede nacional, mas porque o patrocinador era o Banco Nacional. Agora, ele precisava no comando do jornalismo de um homem em que Collor confiasse.

Armando costumava dar uma versão inexata dos acontecimentos. Está hoje, na pág. A11 da Folha: “Na edição Collor-Lula eu fui o marido enganado. O cara que dirigia a área (Alberico) fez modificações à revelia do próprio empresário. Fez aquela manipulação por jogada pessoal, porque era ligado ao Collor.”

Ora, o diretor de jornalismo era ele. E foi o próprio “empresário” quem mandou “o cara que dirigia a área” escolher o “bom” do Collor e o “mau” do Lula.

Outra imprecisão está na primeira página do Globo de hoje, de autoria do magistral Chico Caruso. Chico mostra o Dr Roberto a receber o Armando no céu, (?) na companhia do Evandro Carlos de Andrade e o convida para fazer um jornal. Não era bem assim.

Evandro dirigia o Globo e não era amigo do Armando. Evandro achava que o Armando fazia mau jornalismo e ganhava bem demais. O Armando achava que o Evandro fazia mau jornalismo e pouco se importava com os péssimo salário que o Globo sempre (e até hoje) pagou. Na TV Globo do Armando, era melhor ter trabalhado no Jornal do Brasil, onde Armando brilhou, do que no Globo do Evandro.

Depois, Evandro foi substituir o Alberico para fazer uma limpeza de área e impor o novo comando à rede Globo – os filhos no lugar do Dr Roberto. Evandro fazia questão de dizer que não entendia nem queria entender de televisão. Tanto assim que as únicas coisas que fez enquanto esteve lá foi contratar a urubóloga Miriam Leitão e o Torquemada Jabor.

Foi o Armando quem me levou para a Globo. Aprendi muito com ele. Especialmente a escrever para a televisão. Ele era um craque.

Armando inventou o jornalismo na televisão brasileira e o Ali Kamel vai passar a vida sentado lá, sem mexer no que o Armando fez (melhor do que ele). Mas, o Armando perdeu o pênalti aos 45 do segundo tempo, no dia do debate do Lula com o Collor.

quarta-feira, 24 de março de 2010

BETO ALBUQUERQUE ENVIA MENSAGEM AO PSB DE BENTO.

BETO ALBUQUERQUE ENVIA MENSAGEM AO PSB DE BENTO.
Foi no Seminário Internacional que Beto Albuquerque, enviou mensagem ao PSB de Bento Gonçalves-RS. Ele lembrou que as vitórias do partido são fruto do empenho da militância. Veja o Vídio no Limk TV40VINHEDOS.
http://www.youtube.com/user/TV40VINHEDOS#p/a



http://www.youtube.com/user/TV40VINHEDOS

quinta-feira, 18 de março de 2010

Bento: PSB poderá apostar em Werner Schumacher

Bento: PSB poderá apostar em Werner Schumacher - 18/03/2010 - 10:57:11
O Partido Socialista Brasileiro (PSB) de Bento Gonçalves poderá lançar um representante do Vale dos Vinhedos para o próximo pleito. O aposentado Werner Schumacher, que durante 2009 envolveu-se diretamente como um lutador pelo não loteamento do Vale, pode ser um nome.

- A candidatura surgiu de uma forma surpresa, já que é a primeira vez que me filiei em um partido - disse em entrevista.

A oficialização de seu nome ou não, como candidato, ainda não está definido se em nível estadual ou federal, será feita somente na convenção do partido.
para ouvir clique
Felipe Machado - Agência RSCOM
Postado por : Felipe

Vá direto na notícia

http://www.leouve.com.br/noticia/47941/Bento-PSB-podera-apostar-em-Werner-Schumacher.html

quarta-feira, 17 de março de 2010

Representante do PSB de Bento Gonçalves participa de Congresso Internacional na cidade do Rio de Janeiro.









Representante do PSB de Bento Gonçalves participa de Congresso Internacional na cidade do Rio de Janeiro.

O PSB de Bento Gonçalves participou no último final de semana do Congresso Internacional do PSB tendo como tema “Governos Socialistas em Paises Capitalistas”. O seminário ocorreu no Othon Califórnia Palace no Bairro de Copacabana e contou com a presença de mais de mil militantes do Partido e delegações da China, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Cuba e Brasil, através do Vice-Presidente nacional do PT Humberto Costa.  Da serra Gaúcha participaram como delegados Luiz Fabris de Bento Gonçalves e Edicarlos Pereira de Caxias do Sul. O encontro reuniu quase todas as lideranças nacionais do partido como o Governador de Pernambuco Eduardo Campos, Governadora do Rio Grande do Norte Vilma Farias, Prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda, Deputado por São Paulo Marcio França e o Pré-candidato a Governador do Rio Grande do Sul, Beto Albuquerque. Esteve presente também o presidenciável do Brasil Ciro Gomes o qual afirmou, para os representantes da Serra Gaúcha, sua disposição de concorrer a Presidente da República no próximo pleito.  Na foto Fabris conversa com Ciro Gomes e com o Governador de Pernambuco Eduardo Campos, líderes nacionais do PSB.



sexta-feira, 12 de março de 2010

Aumento dos preços de pães e biscoitos

O companheiro Heitor Schuch, Deputado Estadual pelo PSB, alerta que a indústria moageira anuncia um aumento em até 12% na farinha de trigo, com base na represália que o governo brasileiro está fazendo ao governo americano através do aumento do imposto de importação do trigo de 10 para 30%.

Esclarece o Schuch que o Brasil importou apenas 3 (três) % do seu consumo de trigo dos Estados Unidos, não sendo, portanto, razão para um aumento em até 12%. Também que 5 (cinco) corporações detêm mais de 50% do mercado brasileiro e que as mesmas estão sendo investigadas pelo CADE por formação de CARTEL desde 2000.

Se em 10 (dez) anos não encontraram nada, tudo indica terminará em pizza, a farinha para a massa pelo menos já deve estar garantida.

Lembra Schuch que o país já foi auto-suficiente em trigo, no entanto, políticas agrícolas ruins desincentivaram à produção do cereal.

Fique de olho, não aceite o aumento do preço de pães e biscoitos.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Diretoria da UACB de Bento Gonçalves, que tem a participação do PSB, tomou posse no dia 06, Sábado, em Jantar Festivo



Diretoria da UACB de Bento Gonçalves, que tem a participação do PSB, tomou posse no dia 06, Sábado, em Jantar Festivo. Ocorreu no último sábado dia 06-03-2010 a posse da nova diretoria da UACB – União das Associações Comunitárias e de Bairros de Bento Gonçalves-RS. A nova diretoria é composta por membros do PSB de Bento Gonçalves, entre outros partidos como PT e PPS. A posse foi prestigiada por militantes do PSB de Bento que levaram apoio a nova diretoria. Já no primeiro dia a nova diretoria informou aos presentes vários projetos e também inaugurou o novo site da entidade cujo o endereço é: http://uacb-bentogoncalves.webnode.com.br/ Entre os participantes estiveram presentes, Vilson Moura, Paulo Dalaze, Sérgio Morelis, Werner Shumacher, João Kelermann e Luiz Fabris. O partido terá participação nos departamentos de divulgação, formação, Conselho e departamento jurídico na nova gestão. Veja mais no blog http://psb40vinhedos.blogspot.com/

terça-feira, 2 de março de 2010

Revista Istoé - Ciro aposta em segundo turno contra Serra

Revista Istoé - Ciro aposta em segundo turno contra Serra Deputado do PSB ignora apelo do presidente para disputar o governo paulista e lança sua candidatura ao Palácio do Planalto Octávio Costa e Hugo Marques CONFIANÇA Ciro aposta em segundo turno contra Serra O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) tem encontro marcado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para meados de março, mas o que deveria ser uma conversa decisiva poderá se tornar uma audiência meramente protocolar. Ciro garante já ter tomado a decisão sobre seu destino nas próximas eleições: “Sou candidato a presidente do Brasil”, disse ele em entrevista exclusiva à ISTOÉ. “O Brasil não está bem em termos absolutos e é importante explorar ao máximo as virtudes do sistema eleitoral de dois turnos para debater o futuro do País”, justifica o ex-ministro de Lula, que, apesar da crítica, se diz fiel ao presidente. "Dilma é uma administradora extraordinária, mas isso não é o bastante. Se fosse, a gente contratava um gerente para o Brasil" Mais contido do que de hábito, Ciro, mesmo assim, não deixou de atirar nos potenciais adversários. Tachou o governador de São Paulo, José Serra, de oportunista e carreirista. “Ele não tem compromisso com o Brasil e faz de conta que está do lado de Lula”, acusou, ressaltando que, em 2002, “Serra foi a Dilma do Fernando Henrique”. Para o ex-governador do Ceará, a candidata do presidente Lula não tem bagagem eleitoral, mas é uma administradora competente. O que, a seu ver, não é condição suficiente para governar o País. “Se experiência administrativa bastasse, a gente contratava um gerente.” Aos 52 anos de idade, Ciro Gomes acha que está mais maduro para o novo desafio. "O Serra é oportunista, carreirista e não tem compromisso com o País. Ele quer enganar o eleitor fingindo que é amigo do Lula" ISTOÉ - O sr. é candidato a presidente da República? CIRO GOMES - Sou candidato a presidente do Brasil. O que não é uma novidade para mim nem para ninguém. Já fui candidato duas vezes. Hoje considero que estou muito mais maduro, com a estrada percorrida. Completei 30 anos de experiência na vida pública. Perdi duas eleições para a Presidência e não disputei a terceira porque fui solidário com o presidente Lula na sequência daquela crise chamada de mensalão. Acredito que tenho uma contribuição a dar nesse debate. ISTOÉ - Então a conversa com Lula é para comunicar sua candidatura? CIRO GOMES - Ele sabe que sou candidato. Nossa conversa antecipa cenários. À medida que o tempo passa, as profecias vão se transformando em percepção da realidade. E todos os passos que aconteceram nos últimos tempos só revelaram que minha profecia é mais próxima do real do que a dele. As pesquisas mostram que, sem meu nome, Serra vence no primeiro turno. ISTOÉ - O sr. tem dito que sua candidatura é interessante para a candidata do PT exatamente porque força a realização do segundo turno. CIRO GOMES - Há uma questão aí, sobre o tipo de debate que teremos. Há uma natural vontade no presidente Lula de estabelecer uma eleição despolitizada. Uma eleição que choque a turma do Fernando Henrique contra a turma do Lula. Mas me preocupo gravemente com o prejuízo que seria uma eleição importante como essa – a primeira sem o Lula candidato – acontecer sem o debate do futuro, esquecendo-se que também serão renovados dois terços do Senado e 100% da Câmara. O Brasil não está bem em termos absolutos. ISTOÉ - Em que setores o País tem de avançar mais? CIRO GOMES - De tanto repetir truísmos, a gente acabou não se comovendo mais. Mas o Brasil é o país que tem a pior distribuição de renda entre todas as economias organizadas do mundo. Está perdendo proporção de manufaturados em sua pauta de exportação, o que é um sintoma claro de desequilíbrio nas contas externas do País a médio prazo. Temos um padrão similar ao do mundo desenvolvido, mas pagamos essa conta com exportação de matérias-primas de baixo valor agregado. Essa conta não fecha. Há também a questão da infraestrutura. ISTOÉ - O sr. fará, então, um discurso de oposição? CIRO GOMES - Não é um discurso de oposição. Sou aliado do governo Lula. Não tenho que fazer esforço para demonstrar isso. Agora, todo mundo é amigo do Lula. Eu era solidário ao Lula, porque considerava do interesse nacional, numa hora em que quase o derrubam. Ou que muitos dos seus atuais amigos atrapalhavam ou se esconderam. Mas uma coisa é ser aliado e outra coisa é ser puxa-saco, bajulador. Esse puxa-saquismo tem feito mal ao Lula. ISTOÉ - Está se referindo ao PMDB? CIRO GOMES - Não, estou fazendo uma crítica aos bajuladores e puxa-sacos. ISTOÉ - E se o presidente insistir que o sr. saia candidato ao governo de São Paulo? CIRO GOMES - Ele não fará isso. O Lula tem sido de uma delicadeza e de um respeito muito grandes comigo de longa data. Eu era um jovem prefeito de Fortaleza em 1989, votei no Mario Covas no primeiro turno e no Lula no segundo turno. Desde então, nós temos uma relação de muito respeito. Mas hoje me incomoda a despolitização geral em que estão querendo transformar o processo. Mesmo a oposição está refugiada num oportunismo que vai fazer muito mal ao Brasil. O Serra, que foi a Dilma do Fernando Henrique, simula agora que também é amigo do Lula. ISTOÉ - Serra diz aos seus aliados que não quer debater agora com Lula, prefere enfrentar Dilma mais à frente na campanha. CIRO GOMES - E todo mundo docemente aceita isso. Mas o nome disso é oportunismo. Falta de compromisso com o País, carreirismo. Serra quer enganar uma fração do eleitorado fazendo de conta que está do lado do Lula. ISTOÉ - O sr. acha que tem melhores condições do que Dilma de promover os avanços que considera necessários? CIRO GOMES - Na política, você é a sua circunstância. O que só eu posso fazer é pôr em debate as coisas dizendo o seguinte: eu tenho afinidade com o avanço que o Lula representa. E não é afinidade retórica. Olha onde eu estava e o que fiz nos últimos oito anos em relação ao projeto que o Lula representa. Na hora dura, difícil. E eu posso falar do futuro, das imperfeições e das contradições. Por exemplo, o Lula aguenta as contradições derivadas da coalizão com o PMDB. Sou a favor de alianças. Dito isso, quero dizer que uma aliança precisa se explicar para que se formaliza e em que base se formaliza. A aliança PT/PMDB se destina apenas a conservar o poder. E tornou-se um roçado de escândalos. ISTOÉ - Para o eleitorado pró-Lula, qual é a diferença entre a candidatura Ciro e a de Dilma? CIRO GOMES - A proposta, a experiência e a circunstância política. Dilma é uma candidata forte, mas ainda não teve estrada na seara eleitoral. Enquanto eu já disputei todas as eleições de 1982 para cá, ela vai enfrentar sua primeira eleição. ISTOÉ - Falta experiência administrativa à ministra? CIRO GOMES - Não, aí ela é um talento extraordinário. Mas isso não é o bastante. Se bastasse, a gente contratava um gerente. Tenho grande admiração pela Dilma, ela tem uma biografia extraordinária. Mas colocar os ovos todos numa cesta só não parece adequado. ISTOÉ - O sr. se sente mais preparado que a Dilma para derrotar o Serra? CIRO GOMES - Muito mais. Já aprendi, já errei, já convivi com ele sendo aliado, sendo adversário, já experimentei do fel de ser adversário dele, já caí como um patinho nas armadilhas dele. Isso tudo me deu traquejo, cicatrizes. ISTOÉ - O ex-ministro José Dirceu afirmou que, se o sr. persistir na campanha, o PT não apoiará a reeleição de seu irmão, Cid Gomes. CIRO GOMES - Sou amigo de José Dirceu, mas a situação dele recomenda recato. O José Dirceu está sub judice. ISTOÉ - Será possível tirar voto da candidata de um presidente com quase 90% de aprovação? CIRO GOMES - Não quero tirar voto de ninguém. Pretendo ter os meus votos e que eles sejam mais do que os dos outros, como se faz numa democracia. ISTOÉ - O sr. acha que tem chances de passar para o segundo turno? CIRO GOMES - Uma chance enorme. A maior chance que já tive. Acho que o Serra não será candidato. O risco para ele está ficando visível. É um cara que não sabe fazer política fora de cargo. É um carreirista. Aí o candidato será o Aécio. E então será um barata-voa, que não consigo visualizar. ISTOÉ - O PSDB errou com Aécio? CIRO GOMES - Fez uma opção pelo velho, tendo o novo como opção extremamente interessante para oferecer ao povo brasileiro. Acho que eles vão voltar atrás. O Serra não vai ter coragem de ser candidato. ISTOÉ - Por que o sr. não quis ser candidato ao governo de São Paulo? CIRO GOMES - Não é que eu não queira. Eu considero meio artificial. Nunca foi meu plano. Sinto-me seguro com os assuntos do Brasil. Tomar conta da polícia, do sistema penitenciário, depois do descalabro que tem acontecido em São Paulo, exige muita responsabilidade de mim, que não faço da política um meio de vida. ISTOÉ - O sr. apoia candidatura própria do PSB em São Paulo? CIRO GOMES - Acho que time que não joga não forma torcida. Tenho dito isso aos meus companheiros. Nossa vida é dura, somos um partido de esquerda, mas um partido que de alguma forma rivaliza no campo dos valores com o PT. E agora o PT se sente muito inseguro conosco, porque o PT virou um partido pragmático, desertou da luta dos estudantes, da luta dos intelectuais, dos artistas. ISTOÉ - Em suas campanhas, falou-se muito do seu pavio curto e de sua língua solta, o que o teria prejudicado. O sr. teme que isso se repita? CIRO GOMES - Não temo. Eu caí em algumas armadilhas. Eu era mais treinado do que o Lula em governo, bem avaliado, fui ministro da Fazenda, ajudei a fazer o Plano Real, enfrentei as pressões do Ministério da Fazenda, fui governador mais bem avaliado do país por mais de quatro anos. Mas caí em armadilhas. Aprendi com o Lula que não basta ser talentoso, competente, tem que ser também sereno, tolerante, paciente. Isso vem com o tempo. Não quero me absolver das bobagens que fiz, pois já me desculpei de todas, felizmente nenhuma no campo moral. ISTOÉ - Certamente o sr. vai contar até dez. CIRO GOMES - Não é isso, não. Naquela época eu tinha cabelo, não tenho mais. Fui candidato com 38 anos. Agora tenho 52. Fiquei mais experiente. Passei pela crise do mensalão na coordenação governo. Foi duro. ISTOÉ - O sr. acha que chegou sua hora? CIRO GOMES - No meu coração, eu acho que sim. ISTOÉ - Mas se Dilma for para o segundo turno, terá seu apoio? CIRO GOMES - Somos da mesma turma, em nenhuma circunstância apoio o PSDB. Revista Istoé Mais notícias sobre Política 24/2/2010 - Beto pede ao TSE bom senso e cumprimento da Constituição 24/2/2010 - PSB assume Desenvolvimento Econômico e Amazônia 24/2/2010 - Partidos discut